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Taça da Liga: mais um título ou a tábua de salvação

Autor Rafael Costa em Sexta-feira, 29 Janeiro 2010Um Comentario

Pois é, os acasos da sorte têm destas coisas. A meia-final da Carlsberg Cup ditou mais empolgante dérbi de Portugal: Benfica contra Sporting. Os grandes rivais da Segunda Circular vão reeditar a final desta mesma competição no ano transacto. Depois da polémica final, marcada por uma grande penalidade que levou o jogo para a lotaria do desempate pela marca dos onze metros. Tão polémicas decisões alimentaram especulações várias durante os dias que se seguiram. Lucílio Baptista, o árbitro, viu-se impelido a pedir desculpas pelos erros cometidos em directo na televisão. Algo inédito na história do desporto em Portugal.

Foto: Nacho Doce/Reuters

Águias e Leões alimentam uma rivalidade centenária. É o maior clássico do desporto nacional, reponsável por alguns dos momentos mais mágicos praticados num rectângulo de jogo. Ao falar dos jogos entre Benfica e Sporting é impossível esquecer resultados memoráveis como o 7-1 e o 3-6.

No primeiro caso a tradicção cumpriu-se a tradição. Costuma dizer-se que a equipa que está pior, à altura do clássico, acaba por ganhar. Assim sucedeu a 14 de Dezembro de 1986 no Estádio José de Alvalade. Manuel Fernandes dizimou a defesa encarnada e marcou quatro golos. Ainda hoje, o actual treinador do Vitória de Setúbal, guarda a bola do encontro como recordação de uma noite mágica. Ao poker de Manuel Fernandes juntam-se mais dois golos de Mário Jorge e outro do inglês Ralph Meade. O brasileiro Vando fez o tendo de honra dos encarnados. O 7-1 ainda hoje alimenta a imaginação dos adeptos leoninos. Apesar deste “presente” antecipado de Natal, o Sporting não foi além do quarto lugar final, enquanto o Benfica sagrou-se campeão nacional.

Em sentido contrário, encontramos o famoso 3-6. A noite do “endiabrado” João Vieira Pinto. Ainda hoje, essa exibição coroada com três golos, é a única marcada com a nota máxima do jornal “A Bola”. Simplesmente perfeito! O campeonato de 1993\94 caminhava para o seu final quando, a 14 de Maio de 1994, o Sporting recebia o Benfica em Alvalade. A equipa verde-e-branca teve uma “entrada de leão” com Jorge Cadete a marcar o primeiro golo. Depois veio a “avalanche encarnada” com três golos do “Menino de Ouro”, dois do brasileiro Isaías e um do capitão Hélder. Luís Figo em início de carreira e o búlgaro Balakov juntaram mais dois golos a uma noite mítica.

Os história de rivalidade entre Leões e Águias, alimentada desde que a primeira equipa do Sporting foi constituída por jogadores resgatados ao rival Benfica, vai ter mais um capítulo graças à Carlsberg Cup. Um jogo como este é, por si só, um estímulo à prática do futebol espetáculo. Algo de que o futebol português está muito carênciado. A visão de uma final ao alcance de noventa minutos, pode ser um aliciante suplementar.

A equipa do Benfica vive em estado de graça com um campeonato como à muito não se via no “ninho da águia”, uma campanha europeia invejável e uma equipa superior para os parâmetros competivos nacionais. À primeira vista os “encarnados” partem como favoritos mas, a história já nos deu provas de estatísticas não vencem jogos.

Já o Sporting vive sob brasas. Os resultados não têm sido os melhores, o que já ditou o afastamento de Paulo Bento (tido como “forever” para o presidente José Eduardo Bettencourt) e a entrada de Carlos Carvalhal. Com o novo timoneiro, os bons resultados têm aparecido paulatinamente. Mas os problemas continuam. O mal-estar no balneário é visível em que o episódio Liedson-Sá Pinto é o mais recente caso. A corda acabou por rebentar para o lado mais mais fraco. Os golos que Liedson marca tornaram-se mais valiosos que um director desportivo no cargo à pouco mais de dois meses. Na altura de ver os prós e os contras, o “Levezinho” pesou mais do que Sá Pinto. Apesar das marcas deixadas pelo ex-colega, Liedson continuou a jogar e a ajudar a equipa a atingir a meia-final da Carlsberg Cup. O Sporting tem sabido fazer das fraquezas a sua força e promete surpreender o Benfica.

Na outra meia-final, os tetracampeões nacionais enfrentam a Académica de Coimbra. Desde a entrada de Vilas-Boas (rendeu, em boa hora, Rogério Gonçalves) os “Estudantes” têm mostrado qualidade e alcançaram resultados satisfatórios. No jogo contra os “Dragões”, incontestáveis favoritos, prometem “ter a lição bem estudada” para evitar mais um clássico na final.

Pródiga em surpresas, basta recordar as edições passadas, a Carlsberg Cup deste ano irá ter uma final inédita. Para alguns pode ser mais um título, para outros a salvação de uma época. O ponto de glória numa temporada turbulenta. Seja como for, a Carlsberg Cup, será mais uma oportunidade para os adeptos estravazarem toda a paixão em defesa das cores do seu clube.

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Um Comentario »

  • André escreveu:

    Quando te referes à noite mágica de Manuel Fernandes convém esclarecer que o jogo decorreu durante a tarde.

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