Taça da Liga: é mesmo a sério?
A Carlsberg Cup, nome dado à nossa Taça da Liga por motivos publicitários, nasceu torta e assim continua. De facto é uma lástima que ainda não se tenha encontrado um modelo credível para esta competição. Trata-se de uma Taça que faz falta ao panorama futebolístico nacional. Não pelo facto de ser apenas mais um título em disputa mas, sobretudo, porque pode ser uma montra valiosa para jovens e outros jogadores menos utilizados. Muitos criticaram a actitude do FC Porto em edições passadas mas, a utilização de jogadores jovens por parte dos tetra campeões nacionais é uma actitude sensata. Mostra visão de futuro por parte dos dirigentes do clube nortenho, não falta de respeito pela competição.
Foto: Arquivo/Finta & Remata
Senão vejamos. De que outra forma jogadores ainda em idade de juniores ou recém-promovidos à primeira categoria poderiam jogar com uma certa regularidade? Liga Intercalar? Não parece ser uma competição com os níveis exigidos para preparar jogadores que pretendem conquistar um lugar na primeira equipa. Há muitos anos a Federação Portuguesa de Futebol organizava um campeonato de reservas que dava hipótese aos clubes de manterem as chamadas “segundas escolhas” em forma, capazes de responder com eficiência quando chamadas à primeira equipa, se necessário. Esse modelo de competição ainda se mantém activo em campeonatos de maior nomeada por essa Europa fora, como é o caso de Inglaterra. Por terras de sua magestade o campeonato de reservas já revelou grandes estrelas e é um moniciador de jogadores para a Premiership. E, há que dizê-lo, certos jogos têm tanta ou mais qualidade que alguns que temos o (des)prazer de assistir no nosso retângulo. Outra das funções do campeonato de reservas inglês é recuperar o ritmo competitivo de jogadores acabados de sair de lesões complicadas. Um verdadeiro serviço ao futebol.
Em Portugal tentou-se a formação de equipas “B”. Num primeiro momento até com algum sucesso. Uma ideia a aplaudir mas que teve uma vida curta. O nosso modelo era uma cópia aproximada do que vigora em Espanha. Mas, os nossos vizinhos têm uma capacidade financeira com a qual ainda nem podemos sonhar ombrear. Basta recordar que o Getafe, clube que luta pela permanência na primeira liga espanhola e que recentemente defrontou (e eliminou!) o Benfica na extinta Taça UEFA, tinha um orçamento muito superior ao seu adversário. Não posso deixar de frisar o quão antagónicos são os objectivos de princípio de época destas duas formações. O Getafe luta para não descer enquanto que, o Benfica almeja alcançar o título nacional. Tudo isto para demostrar a razão porque as equipas “B” eram uma boa ideia mas, condenada à nascença. Estas formações viram-se embrulhadas num calendário competitivo e em encargos financeiros que, por muita boa vontade que as direcções tivessem não conseguiam suportar. É a lei do mercado.
Ora, chegamos, então, ao ponto essencial da questão. Como manter os planteis rotinados durante as inúmeras paragens nas nossas competições? Os clubes não têm capacidade para pagar a jogadores que passam grande parte da época afastados, ou por causa dos compromissos das selecções ou das férias. A forma encontrada, e bem, foi a criação de uma nova competição: A Carlsberg Cup. Como já disse, a ideia foi boa. Junta-se o útil ao agradável: competição e encaixe financeiro para os clubes, sobretudo para os mais pequenos. O que acontece é que a competição está mal estruturada e as regras são muito confusas e não estão cimentadas. Tudo isto, transformou uma boa ideia numa confusão total. E, ainda se torna maior quando numa só competição se misturam modelos diferentes: eliminatórias, fase de grupos e, de novo eliminatórias. Os factores de desempate não estão suficientemente bem esclarecidos, o que causa situações perfeitamente evitáveis como a que envolve a Académica nesta edição. Há que criar um modelo sólido e comprensível, para que a competição esteja envolta em discossões desportivas, unicamente. Aos verdadeiros amantes do futebol, questões colaterais não interessam e são dispensáveis.
Foto: Luís Forra/Lusa
Um bom modelo de Taça da Liga vem de França. A competição decorre todos os anos, com muito tempo de história e, até garante uma vaga na Liga Europa para o vencedor. Uma forma saudável de garantir receitas a quem tem menos oportunidade de as concretizar e incentivar a rotatividade da representação desportiva além fronteiras. Mas isso é algo perigoso para o status quo instalado no futebol pportuguês. Resta dizer que o formato está mais do que consolidado em que apenas há lugar a eliminatórias.
E, além disso, não há notícias de grandes casos envolvendo a Taça da Liga francesa. Seria óptimo para o futebol português e para a credibilidade de desporto e de uma competição útil que houvesse vontade de reproduzir as boas ideias que se podem retirar além fronteiras. Quem vê futebol pelo gosto do desporto, agradecia. Esperemos que a clubíte que grassa pelo nosso futebol o permita. Quando isto acontecer, poderemos considerar a Carlsberg Cup como uma competição séria e não como mais uma taça, a “da cerveja” como é popular e depreciativamente conhecida. Uma competição a quem ninguém dá qualquer valor.
Popularity: 3% [?]

















Responder