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Selecção Nacional III: O ‘fantasma’ queirosiano

Autor Nuno Freitas em Quarta-feira, 18 Novembro 2009Sem Comentarios

Carlos Queiroz vai realizar esta noite a sua prova de fogo como seleccionador nacional.

Não se trata de uma eliminatória onde “apenas” se encontra em disputa o acesso ao Mundial, nem somente a permanência do técnico português à frente do comando da nossa selecção.

Foto: Dimitar Dilkoff/AFP
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

Esta eliminatória constituiu também a prova definitiva de Carlos Queiroz poder ser considerado como um bom treinador de clube.

Há muito que este “fantasma” acompanha o actual seleccionador nacional, sendo que desde a saída da FPF, o percurso de Queiroz, em termos de clubes de futebol, contribuiu de forma definitiva para tal “assombramento”. Quer no Sporting, quer no Real Madrid, Carlos Queiroz não foi um técnico amado pelos adeptos dos respectivos clubes, e foi sempre olhado com desconfiança pelos adeptos de outros clubes sobre a sua capacidade de liderar um balneário.

A sua posição de adjunto de Ferguson também levou a que o adepto tradicional olhasse para Carlos Queiroz como um elemento secundário da equipa técnica e não como o homem que liderava a equipa inglesa.

Muitas vezes referenciado como o sucessor natural de Ferguson em Manchester, Carlos Queiroz não chegou a substituir o brilhante técnico escocês, o que aumentou a desconfiança quanto às qualidades do português poder ser um treinador principal de um grande clube. Eu não tenho dúvidas que as contratações do clube de Manchester passaram pelas mãos de Carlos Queiroz, bastando para tal verificar que as escolhas mais avultadas até recaíram no futebol português (Cristiano Ronaldo, Nani e Andersson). No entanto, o treinador português sempre foi visto em Portugal como o “segundo homem” ou mesmo como “o adjunto”. Na realidade, Carlos Queiroz foi um dos obreiros dos títulos do Manchester e da mudança que o clube do norte teve que fazer perante os milhões do Chelsea e do “furacão” Mourinho.

No entanto, ainda hoje, Carlos Queiroz é visto com desconfiança pelos adeptos portugueses que consideram que o seleccionador nacional não é um técnico com capacidade de liderança para um balneário. È apontado constantemente como um brilhante “teórico” do futebol, mas não como tendo a capacidade prática de resolver os problemas no dia-a-dia de um clube de futebol.

Foto: Amel Emric/AP Photo
Foto: Amel Emric/AP Photo

 

A vitória da selecção nacional nesta eliminatória contribuirá de forma decisiva para uma nova imagem de Carlos Queiroz. Para o adepto português, esta será a prova final para Carlos Queiroz. Se o actual seleccionar conduzir a equipa nacional à vitória, vai ser apelidado de herói e ser-lhe-á reconhecida a tal capacidade de liderança que lhe foge há tanto tempo! Carlos Queiroz será considerado um líder e isso vai contribuir de forma definitiva para o desaparecimento do sentimento de desconfiança que hoje existe entre os adeptos.

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