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Muito barulho e pouca decisão

Autor Rafael Costa em Quinta-feira, 24 Setembro 2009Um Comentario

A UEFA, chefiada por Michel Platini, resolveu testar os cinco árbitros nos jogos da recém criada Liga Europa. Aquilo que é proposto como solução para os problemas da arbitragem pode vir a tornar-se numa enorme dor de cabeça. Senão vejamos, se com os três juízes por partida (mais o quarto árbitro) já causa muita controvérsia semana após semana, para resolver a questão o organismo que rege o futebol europeu resolve acrescentar mais dois juízes. Parece contra-natura, e é!

Foto: Toussaint Kluiters/Reuters
Foto: Toussaint Kluiters/Reuters

 

Como se viu na passada ronda europeia a solução ainda está por encontrar. Os assistentes colocados atrás das linhas de fundo continuam a permitir que o erro aconteça. Se é certo que errar é humano, também é certo que devemos caminhar para um futebol mais limpo. Quanto menos erros houver, mais verdadeiro se torna o desporto.

Está provado que o olho humano é falível no que diz respeito ao acompanhamento de certos lances. É disso exemplo os repetidos erros cometidos ao assinalar um fora-de-jogo. É fisicamente impossível acompanhar este tipo de lances à velocidade com que decorre um jogo de futebol actual. A colocação de dois auxiliares atrás da linha de fundo não dá garantias de que o erro não persista. A colocação deste árbitro não permite que ele tenha a certeza de que uma bola ultrapassou, ou não, a linha de golo.

Nesta situação, a introdução dos meios tecnológicos em favor da verdade desportiva, parece ser a melhor opção. Outra das soluções que deveria ser equacionada é a introdução do vídeo-árbitro. Os mais puristas do jogo certamente discordam mas, se nos debruçarmos bem sobre o assunto, veremos que é viável.

Foto: Uriel Sinai/Getty Images
Foto: Uriel Sinai/Getty Images

Os que discordam dirão sempre que será uma razão para desculpabilizar o árbitro e que servirá de pretexto para que este interrompa o jogo sempre que quiser. Mas, não será melhor assim? Se tomarmos o rugby como exemplo, a introdução das imagens televisivas só trouxe vantagens. As pausas não são mais recorrentes por causa desta solução e, o espectador sabe que quando sair do estádio só viu verdade. Esta solução pode não erradicar o erro dos campos mas minimiza-o em muito. Ou não será a verdade desportiva a maior das conquistas? Provavelmente estas soluções podem interferir em certos interesses instalados mas, esses agentes desportivos (lato sensu) não fazem falta ao desporto.

Voltando à questão dos árbitros de baliza é bom relembrar que são seres humanos. Estão, como todos os outros, sujeitos a erros e pressões. Enquanto, o vídeo é uma máquina e, por muito que se tenha essa tentação, não me parece fácil pressionar uma máquina. E, afinal a introdução do vídeo no jogo não é uma solução cara. Com a proliferação de canais desportivos por todo o mundo, hoje, são mais os jogos profissionais televisionados do que os que não o são. Para as televisões pode ser um mau negócio pois, muitos comentadores profissionais perderiam o seu posto de trabalho, mas só traria vantagens para os apreciadores de desporto. Actualmente existe muito ruído à volta do futebol e, o que realmente interessa (por muito que nos tenhamos esquecido disso) é a verdade desportiva.

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Um Comentario »

  • Ricardo Silva escreveu:

    Olá pessoal,

    gostei bastante desta crónica, muita construtiva e objectiva.
    Sinceramente esta crónica deixa qualquer adepto do futebol ucom poucas ou nenhumas dúvidas que ainda surjam sobre os árbitros de baliza…

    Gostava no entanto de publicar esta crónica no meu blogue de arbitragem, ArbiFute!
    A crónica se autorizada terá a “fonte”.
    Agradecia uma resposta da vossa parte.

    Com os melhores cumprimentos,

    Ricardo Silva,
    http://arbifute.blogspot.com

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