Fez-se história(s) na Taça
Os oitavos-de-final da Taça de Portugal foram pródigos em… histórias. Normalmente a segunda competição mais importante do futebol português é conhecida pela democracia das vitórias, pelos ‘David’ que vencem os ‘Golias’, pelas antigas e boas tardes de domingo com futebol.
Mas esta eliminatória da Taça teve tudo, mas tudo… menos surpresas. Os favoritos passaram quase todos (talvez a eliminação do Vitória de Guimarães, nos penalties, tenha sido a maior surpresa, juntamente com nova eliminação do Nacional aos pés do Paços de Ferreira), mas os crónicos candidatos passaram e dois deles deixam grandes recordações desta eliminatória por longos anos.
Primeiro, no Restelo, o FC Porto viu novamente Lima (recordo que o avançado brasileiro já tinha marcado no empate em pleno Dragão) estragar as contas e levar tudo para as grandes penalidades. Aí, foram Beto (formado no Sporting) e Bruno Vale (formado no FC Porto) a brilharem e levarem o jogo até ao outro dia… sim, já passava da meia-noite quando Farías marcou o 30.º (!) e decisivo penaltie.
Em Alvalade, houve história antes, durante e depois do jogo:
- Antes, pelo facto do Mafra, pela primeira vez, jogar um jogo oficial com um ‘grande’ do futebol português, e logo no Estádio José Alvalade.
- Durante, porque o médio chinês Zhang conseguiu fazer três golos em pleno palco dos leões. Sabe quem tinha alcançado tal marca anteriormente? João Vieira Pinto! Se antes do jogo era o também chinês Dabao a querer mostrar serviço, tanto ao Benfica (clube detentor do passe) como aos observadores, para voltar aos escalões profissionais, acabou mesmo por ser o ‘guerreiro’ de Mafra, com apenas 20 anos, a dar nas vistas e a reclamar voos mais altos. Atenção que o menino, já a partir de segunda-feira, vai integrar a Selecção Olímpica da China, que se concentra em… Rio Maior. Ou muito me engano ou Zhang já não vai voltar a ver o Mosteiro tão cedo…
- Depois do jogo, o ‘caldo’ entornou no balneário do Sporting. Prefiro não entrar em detalhes sobre acontecimentos que desconheço mas, do que fui informado, tudo começou ainda no banco, onde Sá Pinto e Liedson trocaram palavras acaloradas sobre o lance do segundo golo do Mafra, onde Rui Patrício… ERROU! (Aqui permitam-me dizer errou porque Patrício, se falhou o alívio, podia ter disputado a bola com o Zhang com as mãos, uma vez que se tratava de um ressalto… parou o cérebro e foi lá mesmo de cabeça. Zhang não é o Twente e… 4-2!). Sá Pinto marcou uma reunião no balneário no final do jogo e aí tudo chegou a vias de facto. Já se sabia que Liedson e Sá Pinto nunca se deram bem (vide vídeo do ‘penalty da discórdia’ em 2004/2005) e, sinceramente, há muito que estranhava o facto do ‘Ricardo Coração de Leão’ andar tão calminho. Mais uma vez, toda a razão ao Paulo Bento mas, ainda assim, a minha solidariedade com Sá Pinto. Obviamente que um director não pode nem deve enfrentar assim jogadores mas, verdade seja dita, há muito que Liedson usa a abusa do estatuto que, justamente (diga-se), ganhou no balneário do Sporting.
Se no ‘caso Stojkovic’ a corda rebentou para o lado mais fraco, o do guarda-redes sérvio, desta feita valeu o estatuto e mais-valia que Liedson representa em relação a um director empossado há cerca de dois meses. É pena…
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