Dunga à beira de um ataque de nervos
O leitor pode pensar que é perseguição minha. Mas não é. Não trata-se de apenas criticar por criticar. De apontar erros por apontar. Mas eu ainda não estou convicto do trabalho de Dunga à frente da Seleção Brasileira. Mesmo após a vitória sobre o Chile.
Foto: Eduardo Di Baia/AP Photo
Antes da crítica, os elogios. Nilmar jogou muito bem. Mostrou que pode ser uma grande alternativa para substituir Luis Fabiano e é claro Robinho, que ultimamente não vem jogando bem. A equipa mostrou que não é dependente de Kaká. Pois Daniel Alves entrou bem no meio-de-campo. Isso sem falar em Júlio Baptista, que também foi muito bem. Júlio César continua em grande forma. Fazendo defesas espetaculares. E na defesa, Luisão mais uma vez esteve fazendo uma actuação sóbria.
Agora a crítica. Chego à conclusão que a Seleção é um time de estilo de jogo previsível. Joga no erro e nos espaços deixados pelos adversários. Se uma equipa vier para atacar o time brasileiro, está perdida. Pois vai deixar os espaços que o time de Dunga tanto espera. Portanto, para parar o Brasil basta o adversário formar uma sólida linha de defesa, com pelo menos dois jogadores de contenção no meio-de-campo. Até porque é dessa forma que o Brasil vem jogando.
Querem ver um exemplo: A partida contra a África do Sul, pela Copa das Confederações. O treinador brasileiro do time adversário, Joel Santana, conhecendo o estilo Dunga, armou uma retranca para o Brasil. Santana é um técnico experiente e vitorioso no Brasil, com muito mais bagagem que o técnico da Seleção Brasileira. Pois não é que mesmo com um time limitado, a África do Sul foi uma pedra no caminho brasileiro. O Brasil não sabia como furar o bloqueio sul-africano e o jogo caminhava para um 0 a 0. Até que apareceu a falta cobrada por Daniel Alves no fim do jogo. Se não fosse por esse lance isolado, a vitória talvez não viesse.
Outro fator que me preocupa: A instabilidade emocional de seu treinador. O jogo estava empatado em 2 a 2 e o Chile começava a jogar melhor. O torcedor, que quer sempre ver seu time dando espetáculo, começou a vaiar. Uma reacção normal. Afinal o torcedor também tem o direito de vaiar. Quando o Brasil marcou o terceiro gol, o zangado treinador ao invés de apenas comemorá-lo e ignorar os apupos vindos das bancadas, correu em direcção a elas, numa enxurrada de palavras de baixo calão. Ofensas dirigidas ao torcedor…ofensas dirigidas ao indiretamente a todos nós. É o que já falei em outra coluna. Ao invés de continuar trabalhando em silêncio, Dunga prefere a cada coletiva atacar quem o critica ou criticou. É uma guerra onde apenas um lado sai perdendo, neste caso o perdedor sempre é o treinador.
Foto: Vanderlei Almeida/AFP
Dunga, por favor, adote a linha “paz e amor”. Prometo que se você ficar calminho deixo de te criticar. Se isso é o que lhe convém…
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