As dívidas na Premier League
O jornal inglês “The Guardian” avançou com um número redondo para as dívidas acumuladas dos 20 clubes que este ano disputaram a Premier League: 3,5 mil milhões de euros.
O relatório financeiro apresentado mostra que Manchester United e Chelsea são os clubes com maiores dívidas – com 804 milhões e 807 milhões de euros, respectivamente. Seguem-se Arsenal, com uma dívida de 478 milhões de euros, e o Liverpool, o outro membro do ‘top four’, que deve 322 milhões.
Foto: Arquivo/O Globo
As dívidas dos quatro maiores clubes ingleses, contraídas de maneiras diferentes, demonstra os extremos a que os emblemas da Premier League chegaram. O campeão inglês, comprado em 2005 pela família Glazer, conseguiu chegar, em apenas três anos, aos 302 milhões de euros de juros à banca, sobretudo devido ao facto da família norte-americana ter adquirido o clube com dinheiro emprestado, transportando, em seguida, as suas próprias dívidas às instituições bancárias para o clube inglês.
A dívida do Liverpool é em tudo semelhante e incluir os juros dos 215 milhões de euros que Tom Hicks e George Gillet pediram para adquirir o clube em 2007. Já no Chelsea a dívida bancária é o mal menor para Roman Abramovich, que comprou os ‘blues’ em 2003. O milionário russo foi esbanjando dinheiro em reforços e, como forma de combater as dívidas elevadas com a falta de títulos, Abramovich reduziu o empréstimo inicial que tinha feito ao próprio clube, de 807 milhões de euros para cerca de 390 milhões, convertendo o restante em acções no clube.
No caso do Arsenal, o clube da capital inglesa foi o único emblema da Premier League a contrair uma dúvida para realizar um investimento com retornos a longo-prazo. Aos 300 milhões de euros pedidos para a construção do novo Emirates Stadium, a direcção do Arsenal necessitou de mais 153 milhões para converter os terrenos do antigo Highbury Park em apartamentos. Ainda assim, a prudência com que os responsáveis do Arsenal olham para os números tem uma explicação: os 60 mil lugares do novo complexo geram o dobro do lucro que o antigo estádio, ainda que as vendas dos apartamentos tenham estagnado com a desaceleração da economia.
A realidade dos 20 clubes da Premier League demonstra que, apesar do aumento dos rendimentos, incluindo a primeira época com o novo acordo sobre direitos televisivos, válido de 2007 a 2010, são cada vez mais os emblemas a depender do investimento de milionários estrangeiros. Na última temporada, 15 dos 20 clubes que formaram a principal divisão do futebol inglês estavam na posse de proprietários estrangeiros. Depois de Roman Abramovich, a maior contribuição chega de Mohamed Al-Fayed, cujos empréstimos sem juros ao Fulham aumentaram para os 200 milhões de euros.
Os pequenos clubes ingleses continuam a luta árdua para competir financeiramente com os maiores, acenando com novas estrelas e novos projectos, em busca de investidores próprios. Na última semana, mais dois clubes foram parar às mãos de milionários: o Sunderland foi adquirido pelo norte-americano Ellis Curta, enquanto o Portsmouth tem agora o mesmo dono que o Manchester City – o consórcio de Dubai, cujo rosto mais conhecido é o de Sulaiman Al Fahim.
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