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Análise táctica: o 4-2-3-1 de Carvalhal para o ‘derby’

Autor Rodrigo Fialho em Sexta-feira, 27 Novembro 2009Sem Comentarios

Aproxima-se a passos largos o ‘derby’ da 2ª circular, o jogo que nos últimos 25 anos apresenta maior diferença pontual entre Benfica e Sporting, na 1ª volta do campeonato nacional.

Jorge Jesus e Carlos Carvalhal em confronto directo, treinadores de diferentes gerações mas com percursos que se tocam em diversas variantes. Para Carlos Carvalhal, será a primeira prova de fogo depois de ultrapassada com relativa facilidade a IV eliminatória da Taça de Portugal.

Apostando num 4-2-3-1, o sistema preferencial que o novo técnico sportinguista irá adoptar até final da temporada e, consequentemente, do seu contrato, Carlos Carvalhal vai estrear-se na Liga Sagres com algumas surpresas no onze inicial, capazes de desequilibrar a balança a favor do Sporting mas, sobretudo, conferindo maior segurança a uma equipa que está longe daquilo que pode render e perante um adversário que se coloca cada vez mais como o principal candidato ao título de campeão nacional.

Com Tonel de fora e Grimi cada vez mais longe de ser uma opção segura, o quarteto defensivo que Carlos Carvalhal vai apresentar no ‘derby’ terá Abel na lateral direita, o menos mau dos dois defesas direitos de origem – Pereirinha seria uma terceira opção -, com a dupla de centrais a ser formada por Marco Caneira e Anderson Polga. Na esquerda, Miguel Veloso vai fazer a tempo inteiro as funções de lateral.

No meio-campo mais defensivo, fazendo companhia à peça central do esquema, João Moutinho, Carvalhal vai subir no terreno Daniel Carriço para, na transição defensiva, importunar a construção de jogo de Pablo Aimar e, na saída para o ataque, ser o primeiro a organizar jogo pelo centro do terreno.

Daí para a frente, pouco há a acrescentar: o trio de apoio a Liédson será formado por Pereirinha na direita, Matías Fernandez ao meio e Vukcevic descaído para o lado esquerdo, com claras instruções para derivar para o centro no apoio directo ao único avançado de raíz que encaixa no onze inicial.

Direitos Reservados/Finta & Remata
Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata

Neste primeiro esquema observamos a táctica estanque que Carlos Carvalhal vai adoptar para a recepção ao Benfica, um esquema que surge com quatro jogadores capazes de desempenhar as funções de defesa central: Marco Caneira, Anderson Polga, Miguel Veloso e Daniel Carriço. Será a partir desta base que todas as movimentações e derivações tácticas que Carvalhal tem trabalhado ao longo da semana se irão desenvolver, como veremos mais abaixo.

Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata
Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata

Esta segunda imagem representa a saída para o ataque da formação leonina. Daniel Carriço será o homem que terá a função de receber a bola de Rui Patrício e distribuir o jogo para as alas, podendo Miguel Veloso ou Abel surgir como alternativas a uma transição através das alas. Em ataque continuado, o 4-2-3-1 de Carvalhal passa a suportar três centrais (Polga, Caneira e Carriço), com Miguel Veloso e Abel a subirem pelas laterais, Moutinho, Matías Fernandez e Pereirinha no meio-campo ofensivo e Vukcevic na esquerda, derivando para o apoio directo a Liedson, com claras instruções para sair da marcação e derivar para as alas, abrindo espaço para o perigo que surgirá de trás, nomeadamente nos remates de longa distância. Candidatos? Miguel Veloso e João Moutinho, sobretudo, com Matías no processo de entrar na área com bola controlada e Pereirinha como escolha número 1 na solução de cruzamento para a área.

Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata
Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata

A imagem acima representa, portanto, o esquema táctico de Carvalhal no processo atacante do Sporting. A tal surpresa táctica que o laboratório de Alcochete tem trabalhado ao longo da semana e que no jogo do Pescadores chegou a ser testado, muito embora a expulsão de Carriço tenha dado poucos minutos para funcionar como tubo de ensaio.

Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata
Foto: Direitos Reservados/Finta & Remata

Ora neste esquema 4-2-3-1 que Carlos Carvalhal se prepara para apresentar em Alvalade, as principais vantagens para a equipa do Sporting prendem-se com a liberdade que Abel e Miguel Veloso terão para explorar as faixas, subindo no terreno e tendo três centrais para a compensação. Nos mesmos flancos, Vukcevic e Pereirinha surgirão então no um para um com os defesas do Benfica, provavelmente Maxi Pereira e César Peixoto, respectivamente. No centro do terreno poderá observar-se a igualdade numérica no miolo, com Pablo Aimar e Javi Garcia para João Moutinho e Matías Fernandéz.

Os principais problemas para o Sporting surgem na altura de finalização: em posição estática, Liedson surgirá sozinho entre dois defesas centrais (David Luiz e Sidnei) que jogam muito no confronto físico e aí o ‘levezinho’ parte em clara desvantagem. Daí que o apoio de Vukcevic seja determinante e o montenegrino seja peça-chave no esquema de Carvalhal.

Em transição defensiva este Sporting poderá apanhar dois médios rápidos com apenas João Moutinho pela frente, abrindo espaços entre o meio-campo e o trio de centrais. Em plena grande área, a altura de Cardozo será um dos principais problemas, a que se acrescenta a velocidade e técnica de Saviola contra dois centrais que têm pouco ritmo competitivo, Polga e Caneira. Embora a vantagem númerica seja em teoria favorável ao Sporting, nos corredores irão surgir Di María, que terá condições para cruzar na linha de fundo perante Abel, enquanto Ramires será certamente forçado a procurar zonas interiores e entrar na igualdade numérica, na prática, entre unidades defensivas e ofensivas.

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